O meu amigo: Josué do Violão. Por Águeda Wendshausen
Quero apresentar ao caro leitor um músico que conheço há algum tempo.... Ele nascido e morador da Trindade, e eu moradora do Saco dos Limões, ambos os bairros de Floripa. Temos as mesmas origens. Somos, em suma, “manezinhos da ilha!” e amamos nossas origens. Talvez esta seja uma das muitas razões para admirá-lo como músico excelente que também é. Josué Irineu Silva- josueviolao - violaodojosue - é natural SC, Florianópolis e caçula de seis irmãos. Tem mais de 50 anos de música. Sua carreira iniciou cedo, como calouro, nos anos 70, tocando violão e cantando quando tinha apenas 10 anos.
Josué, como iniciou tua carreira musical?
Minha inclinação para música vem desde muito cedo: final dos anos 60. Lembro que meu pai possuía um pequeno comércio de secos e molhados, que por aqui se chamava de “venda”. Ao final do expediente, meu pai se reunia com outros músicos. Lembro-me de um seresteiro chamado “Canhola”. Até minha mãe cantava. Tocavam, cantavam e me punham sobre o balcão. Ali foi o meu primeiro palco!” Diz Josué.
Iniciei a carreira me apresentando na antiga TV Tupi, como calouro, no início da década de 70.
A primeira música que cantei foi de Nelson Ned, Tudo Passará. Nesta época fui crooner do grupo “Los Catitos”. Com eles comecei a tocar violão e a compor. Essas composições nem recordo mais....
Quais os trabalhos que realizaste?
Neste momento cantava músicas da Jovem Guarda. Nos anos 80 deixei de cantar aquele estilo e comecei a cantar Bossa Nova, o que faço até o momento, embora toque também diversas músicas de MPB.
Fiz alguns recitais (instrumentais): UFSC, assembleia Legislativa, Colégio Cristo Rei (Joaçaba).
Fiz também música para teatro: letras e músicas instrumentais e efeitos musicais. Vale lembrar que quem dirigia essas peças teatrais, era Carmem Fossari que criou e coordenou o grupo da UFSC “Teatro Novo” daquele período. Certa ocasião, Carmem Fossari teve que substituir, às pressas, um músico, na peça “Os Sete Segredos do Mar”. Coube a mim substituir o músico. Eram mais de 10 músicas, de estilo diferente do que eu tocava, além dos efeitos musicais.
Trabalhei também com o Grupo “Armação” na montagem de “Zumbi “com a direção de Oraci Gemba. Oraci foi diretor do Teatro Guaira e trabalhou, em São Paulo, no original “Arena conta Zumbi” com atores como Francesco Guarnieri e Augusto Boal. Técnica Vocal com Glorinha Belkmuller.
Em 77-78, no coral da antiga Escola Técnica Federal, no coral com o maestro Carlos Lucas Besen, aprendi técnica vocal. Acompanhava este coral, que se apresentou no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC).
Na própria Escola Técnica, quando tinha 17-18 anos, havia um programa de calouros em que eu tocava guitarra, cantava e acompanhava os calouros. Nesse momento também comecei a tocar em “barzinhos”. Nas décadas de 80 e 90 toquei em muitos “barzinhos” e também com amigos.
Em 2018, no " TAC 8 em Ponto", apresentei minhas composições contando com diversas participações em formato duo com amigos instrumentistas.
“Participei de entrevistas com personagens da Ilha (de Floripa) como Miro, Roberto Kesley, Helinho, Luiza Gutiérrez. CEPEX. Tenho isto tudo registrado em fotos em matéria de jornais que escaneio e divulgo em minhas redes”.
Dedico-me bastante em preservar e valorizar a cultura local. Em 2008 e 2020 fiz shows denominados Delícia do Sul, nome de uma de minhas composições. Delícia do Sul retrata a ilha de Florianópolis com seus pescadores, mandioca e paisagens lindíssimas.
E composições próprias?
Tenho... Desde de os anos 70....Não lembro e não tenho registro. Já em 72 me apresentei num programa televisivo que chamava Eles e Elas (ou Elas e Eles, não recordo bem) uma música de minha autoria. Hoje, acredito que tenha em torno de cem composições entre cantadas e instrumentais. Elas foram feitas mais na década de 80. Fiz algumas composições no estilo Bossa Nova e em outros estilos, bem variados. Muitas dela são “baseadas em fatos reais”.
E tua inspiração para compor?
As minhas composições surgiram quase sempre “tudo junto”, ou seja, letra e música ao mesmo tempo. Fiz também jingles para campanhas políticas ou lojas.
Qual foi o ponto alto de tua carreira?
“Para mim um dos pontos altos foi dar conta de substituir um músico de quarta para sexta-feira, o que já foi colocado acima. Colocar cifras, decorar músicas na quinta e já na sexta a estreia.
Como acessar teu trabalho?
Sugiro buscar nas redes sociais “josueviolao” ou "violaodojosue ". Tenho muitos registros.
No final desta entrevista deixo a letra de uma das músicas e letras mais belas de Josué, que mostra todo o valor da Ilha de Floripa, para ele e para mim. Vamos apreciar “Delícia Do Sul”.
Quem vem pro Sul terá de apreciar /Toda a beleza desse lugar/ Essas lindas praias, seu gostoso mar/ Sua gente boa, uma história pra contar/ Eu falo de uma Ilha, Terra de Sol e Mar/ Que é um paraíso para quem quiser sonhar / Onde o pescador afoga sua dor/ Depois volta na praia e colhe o que plantou/ É, além de uma Ilha, a morada do sol/ E, bem mais que a vida,/ Essa Ilha é o esplendor do amor. /É o esplendor do amor./ É o esplendor do amor.