quarta-feira, 5 de março de 2014

Fechando o Verão e Abrindo o ano Letivo. Edna Domenica Merola


Faz um ano, foi numa terça-feira, em 05 de março de 2013, que escrevi nesse mesmo blog:
A efeméride que merece ser comemorada e até ser objeto de tarefa para inocentes criancinhas somos nós: gente de todas as idades, gente plena de pluralidade. Gente que cultiva a esperança de que "amanhã será outro dia...”

À essa afirmação pró humanismo, no âmbito pedagógico, acrescento hoje que somos seres naturais e, portanto, de natureza cíclica. Defendo, portanto, uma prática pedagógica que exercite a  percepção com alteridade. A exemplo da audição dos ruídos da estação do ano ou de uma letra de música que a ela nos remeta tal como: Águas de Março. Tom Jobim. 

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol


É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

..............................................................

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

Vivendo o final do verão, e pensando na rima entre madeira e pereira – nos versos 1 e 2 da segunda estrofe de Águas de Março – imagino uma cena em que um lavrador, ao chover, reflete sobre a vida, olhando o nó da madeira, e extrai da imaginação uma história de 'causar' medo ou tira da memória a narração de uma lenda como:

MATINTA PEREIRA

Bem no meio da noite, um assobio agudo tira o sono de todos e assusta as crianças! Os mais velhos sabem do que se trata: é Matinta Pereira que veio pedir fumo. Se o dono da casa demora a acordar, alguém deverá chamá-lo urgente! Ele deverá prometer tabaco, logo que ouvir o assobio, e dizer:
– Matinta, pode passar amanhã aqui para pegar seu fumo.
No dia seguinte, uma mulher idosa que veste uma roupa escura e velha aparece na residência onde a promessa foi feita, a fim de apanhar o fumo. Anda sempre com um pássaro agourento: o ‘rasga-mortalha’. Ela é uma pessoa do lugar que carrega a maldição de 'virar' Matinta Perera: à noite transforma-se no ser que assombra e amedronta as pessoas.
Matinta, quando está para morrer, pergunta:" Quem quer? Quem quer?"  Alguma mulher responde "eu quero", pensando que ganhará alguma joia... Mas recebe por herança a sina de ‘virar’ Matinta Perera. 

Imagino outra cena semelhante em que o lavrador e narrador está noutro extremo do país e lembra: O saci (lenda do sul brasileiro). Saci-pererê, também conhecido como matimpererê ou matita perê é um personagem folclórico similar à Matinta Pereira. Teve sua origem presumida entre os indígenas da Região das Missões, no Sul do país, de onde teria se espalhado por todo o território brasileiro.
Em 1917, Monteiro Lobato propôs aos leitores do "Estadinho", suplemento do jornal O Estado de São Paulo, do qual era colaborador, que enviassem cartas contando tudo o que soubessem ou tivessem ouvido falar sobre o mito do Saci-Pererê. Especificamente, pedia respostas a três perguntas:
1. Qual a concepção pessoal do leitor sobre o Saci; como o recebeu na sua infância; de quem recebeu; que papel representou tal crendice na sua vida, etc.
2. Qual a forma que a crendice assumira na região do país em que o leitor vivia.
3. Que histórias e casos interessantes o leitor conhecia a respeito do Saci.
O inquérito recebeu dezenas de respostas, que apresentaram tons variados. Muitas traduziam uma nostalgia da infância passada em fazendas do interior de São Paulo e Minas Gerais, outras atribuíam a crença no Saci ao pensamento exclusivo da população rural.
Pesquisas semelhantes à de Lobato são atividades adequadas para o início do ano letivo. Assim como a pesquisa sobre as áreas de riscos de deslizamentos causados por chuvas, as instalações de para-raios nas escolas públicas, etc.

Pensar as conexões entre redes que podem ser consideradas distintas, tais como ...– sonho e realidade; mundo subjetivo e mundo objetivo; brincareira e conhecimento – ...  deveria interessar a nós educadores, visto que consideramos ser possível ... enriquecer o trabalho cotidiano da sala de aula.                                                                                                                                                                    (SOUZA.2009. P 137).

                                            
Medos reais contemporâneos ou medos ancestrais sob o viés da ficção são importantes na prática pedagógica voltada para o ‘mistério profundo’ da ‘promessa de vida no teu coração’.


Referências

LOBATO, Monteiro. Mitologia Brasílica – Inquérito sobre o Saci-Pererê. Jornal o Estado de São Paulo. 1917.


SOUZA, Anervina. As Lendas Amazônicas em Sala de Aula. Manaus: Editora Valer, 2009.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Uma Escritora Feliz: 'Eterna Aprendiz'. Edna Domenica Merola


Eterno Aprendiz de Gonzaguinha

Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...

Inspirada na lembrança de um grande sucesso do saudoso compositor Gonzaguinha, a saber, Eterno Aprendiz, comecei essa minha reflexão sobre cultivar o hábito de escrever. O desejo de escrever prevalece sempre em mim, à revelia do destino das minhas obras publicadas. Ultimamente costumo publicar um livro por ano. O de 2012 ainda não foi parar no sebo, nem o de 2013. Já alcancei a meta anteriormente traçada a de escrever e não ter vergonha de que exemplares de minhas obras 'virem sebo'. Mas acho que olhar os anúncios de sebos (que anunciam meus livros e as obras de amigos) pode ser uma interessante forma de começar o ano refletindo sobre:

a efemeridade do tempo vivido por mim e por meus coetâneos ;

a quantidade do trabalho produzido ao longo do tempo;

o registro e publicação de algumas abstrações sobre o trabalho produzido;

a expressão em prosa ou versos sobre emoções e memórias e outros tipos de representações;

a expressão do momento presente em projetos encaminhados ou a serem eliciados...

Você que é leitor ou leitora desse blog e que aprecia alguns textos criativos ou didáticos sobre a escrita e oficinas talvez fique sensibilizado (a) com a questão que será abordada. Na modernidade o livro se transformou em mercadoria ou bem de consumo. Hoje podemos perceber que o apreço ao livro impresso decaiu de forma acentuada. O livro passou a ser visto como um objeto descartável como qualquer outro objeto de papel...

Para ilustrar copiei os anúncios de alguns livros que escrevi e que foram parar nos sebos:

3 livros encontrados para: Autor: +domenica (119) +merola(18) +edna (4.228); 0,0201 segundo

Resultados de 1 a 3
 
 
 
Título/Autor
Ano
Estante
Vendedor
UF
+ info

 

Edna Domenica Merola
2011
Literatura Brasileira
Sebos Ivete
SC

A Volta do Contador de Histórias


Editora: Do Autor

Ano: 2011


Peso: 200g

Cadastrado em: 13 de julho de 2012

Descrição: Livro em bom estado, com laterais de corte e algumas páginas um pouco amareladas pelo tempo.

Um ótimo livro, aproveite!

Edna Domenica Merola
2012
Literatura Brasileira
Livraria Livros e Livros
SC

Cora Coração


Editora: Nova Letra

Ano: 2012


Peso: 253g

Idioma:

Cadastrado em: 19 de novembro de 2013

Descrição: Livro Novo! Nunca foi lido ou manuseado, esta exposto em nossa prateleira desde o dia que chegou da editora.

Edna Domenica Merola
2001
Pedagogia
1000 Livros
SP

Aquecendo a Produção na Sala de Aula


Editora: Nativa

Ano: 2001

Estante: Pedagogia

Peso: 240g

Cadastrado em: 12 de outubro de 2010
Descrição: Livro brochura em ótimo estado com 261 páginas, sem sinais de manuseio em seu interior, com capa e lombada em bom estado.
 
Talvez o leitor fique revoltado ao ver um livro publicado em 2012 ser chamado de velho em 2013. Talvez perceba que o anúncio do livro mais antigo mencione número de páginas e os anúncios mais recentes não o façam. Ao longo da década em pauta, tais anúncios mencionam o peso... Isso implica em justificar a tarifa cobrada pelo envio por correio. O livro é referido como uma mercadoria de segunda mão ou um ‘peso’ a ser remetido...
Peço conferir nos sites de busca, digitando o nome completo da autora desse texto. Rápido, por favor! Antes que as evidências sejam também descartadas...

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL! Oleni Lobo.

A maior luz é aquela que não precisa estar acesa, apenas sentida e compartilhada; o brilho que nós seres humanos emitimos aos que nos rodeiam, enfatizando um efeito, atenuando outro, dando um toque colorido aqui, outro acolá, considerando cuidadosamente os possíveis efeitos que dê um sentido especial de poder se libertar das estreitezas e dificuldades elevando-se para além de si mesmo pulverizando os amores sobre os amigos, desafetos e pessoas que nunca vimos, mas que tanto necessitam de orientação.
O natal é isto:

a distribuição de amor, respeito, caridade e orientação aos que se encontram à margem da ética e respeito, com isto conseguiremos dar um colorido especial, uma nova ótica de caráter que vai além do material, algo simbólico, uma interação que pode gerar novos significados à vida... ao convívio.
Acredito que algo diferente ocorre em nossa vida para percebermos onde é necessário lapidar e nos tornarmos esta bela obra de arte que somos. Afinal somos luz, a semelhança de DEUS, aliás, podemos ser aquilo que queremos, é claro que teremos que desbravar as trilhas nas quais iremos aprender até chegarmos ao destino final.
Muito 'Brilho', muito amor a si e ao próximo e que todos, com nossa força e energia, possamos fazer brotar o melhor de cada pessoa.

 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Era uma vez um Curso e a Díade Ouvir-Contar. Edna Domenica Merola


"Não é a história que... fascina mas a alma que está nela."
(COUTO, Mia. Terra Sonâmbula. 2007. P. 67)
Exibindo artes 019.JPG
Psic. Alexandra, Prof. Eloá, Edna, Prof Marilda (Foto do acervo de Cícera Lassala)























Era uma vez um curso de Contadoras de Histórias... Onde aprendi que...

Para contar uma história é preciso memorizar na alma alguns itens importantes: título da história, autora, onde, quando, quem, o quê, como, para quê, epílogo.

– Qual o título dessa história?

Era uma vez um curso ... Do qual foram autoras todas as participantes no processo de ensino-aprendizagem.

Onde o curso ocorreu?

No auditório do N.E.T.I., UFSC, Florianópolis.

Quando as aulas aconteciam? Às segundas-feiras, das 14 às 16 horas, de março a dezembro de 2013.

– Quem participou do curso?

Eloá Aparecida, Marilda, Alexandra (equipe de ensinantes). Alda, Cícera, Edna, Fátima, Ivone, Júlia, Natália, Terezinha (equipe de aprendizes).

– O quê acontecia nas aulas?

Nas aulas ocorriam mediações em torno da arte de contar histórias.

– Como se deram as intervenções didáticas?

As ensinantes usaram exposições teóricas sobre os principais autores canônicos da Literatura Infantil, leituras sobre tópicos referentes ao tema, manuseio de acervo, interação das aprendizes com as ilustrações dos livros do acervo, incentivo à criação individual de recursos visuais para contar histórias.

As ensinantes usaram a mediação de alunos de turmas anteriores como recurso para expor as alunas dessa turma a diferentes modelos de contadores.

Era uma vez um curso e... uma díade... Após saber de cor esses itens é necessário reproduzir a história sem exagerar em adereços ou recursos corporais. O espaço físico deverá ser usado de maneira comedida, servindo para que a contadora se instale e não como lugar de locomoção.

O lugar de instalação de quem conta uma história deverá ser transformado em ambiente de interação no qual ocorrerá um segmento de comunicação. Trata-se da construção da díade a saber: quem conta (ou expõe sua fala) e quem ouve (ou recebe a fala).

O olhar, a gesticulação das mãos e a modulação de voz contam muito para que essa díade se construa. A grande mágica, no entanto, ocorre com a ajuda de dois elementos:

– O primeiro: é preciso que a história penetre a alma da contadora ...

– O segundo: é necessário que a história se aloje em algum nicho do imaginário do ouvinte...

– Difícil?

– Difícil! Mas há contadoras que sabem disso desde a infância, outras aprenderam por intuição no exercício de suas profissões ou no desempenho de papeis na família, na Igreja, em associações.

Posso afirmar, no entanto, que todas as aprendizes da turma de 2013 que foram frequentes até o dia de receber o certificado assinado pela Professora Eloá Aparecida Caliari Vahl aprenderam que a arte de contar histórias envolve sutilezas inerentes aos atos que envolvem o processo de narrar...

– Para quê serve a arte de contar histórias?

A meu ver, a principal dessas sutilezas é a vontade de doar uma oportunidade de reflexão sobre uma ideia, um lugar, um fato, uma ação, uma "fala", uma experiência, uma emoção... Mas a vontade mencionada não caminha sozinha... A arte de contar histórias envolve sutilezas inerentes aos atos de narrar e à vontade de doar-se ao ouvinte que se abre para receber essa energia sutil que emana de simples palavras.

A arte de contar histórias envolve sutilezas do encontro eu-tu...

Não implica em altruísmo! (Muito menos em egoísmo, é claro!). Implica em compartilhar, doar-se e manter o próprio sentimento de pertença, a um tempo único e relacional... No qual se constrói a narradora, a audiência e a narrativa.

Como epílogo: foi assim que experienciei "Um curso e"... que tentei compreender a natureza de "uma Díade Relacional" ímpar: contar-ouvir...
"O fascínio da alma que habita uma história" dará nova dimensão ao desempenho dos papeis de escritora e de professora, no que diz respeito à construção do (a) narrador (a), do narratário, e da narrativa.


 
 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Carta para Destinatária Sorteada: Amiga Secreta, Natal de 2013.




De Amaridis para Léa: Amizade

Escrever para minha amiga secreta é começar e não parar mais... Então começaria assim:
– ♫ "Menina que mora na ladeira

   ♪Que desce a ladeira sem parar

  ♫ Debaixo do pé da laranjeira

   ♪Há sempre um alguém a esperar...”. ♫

Amiga que fala da vida e seus olhos brilham de emoção... Que fala de família com o coração... Que fala de filhos e que seu coração vibra de tanto amor... Que brinca com os netos e senta no chão...

Que trabalhou intensamente e ajudou a amenizar as dores...

Que corre feliz para contar histórias...

O que posso dizer mais desta amiga? Posso dizer muito mais! Em verso falarei sobre amizade, assim:

Para que olhar as estrelas?

Se seus olhos brilham muito mais,

Para que correr nos campos?

Se seu perfume de Azaléa exala muito mais...

Para que pegar o cobertor?

Se o seu abraço aquece muito mais!

Para que procurar novos amigos?

Se já temos amizade demais...

Talvez eu pudesse até escrever mais... Só que não consigo... Então, amiga Léa, saiba que a minha amizade por você É GRANDE DEMAIS! Tenha um Feliz Natal e um Ótimo Ano Novo.

Forte abraço, da amiga Amaridis.
10 de dezembro de 2013.AMA.


De Léa para Lourdes: A ternura de uma professora




Professor é todo voltado para o amor

O amor sem questionamento

Pois todo o professor é um sublimador


Todo o professor sonha e espera

Que seus conhecimentos transmitidos

Sejam aproveitados, e estimulados.

Vejo-te uma professora do bem

Sem olhar a quem


Construíste dentro de ti

Uma enorme construção de transmitir

Harmonia junto à sabedoria, que tu lapidaste,

Com tua ternura de professora.


Quando falas na criança, no seu encantamento,

Com suas lendas e cantigas, de bruxas e de sonhos,

Trazes, no teu peito, todo o teu ninar

E os enches de esperança

Para um mundo melhor.


Sei que tens saudades dos teus pequeninos

Da escola publica

Mas tenhas certeza o teu saber a eles repassado ninguém tirou!


Lourdes, que Jesus te abençoe e continue educando

Pois como professora, mãe avó e amiga

Sempre serás presenteada com as bençãos

De Jesus o Salvador


Feliz Natal junto a seus familiares, foi um prazer uma satisfação tê-la como amiga literária.

Abraço de Léa


Para Amaridis, da Osmarina

Ela é: exemplo de amizade sincera. Dá a todas muita atenção. É meiga no falar e no agir. Tê-la entre nós é privilégio, por esta razão eu digo:


Uma das flores do nosso jardim
É a violeta bem pequena
Delicada, de pétalas macias,
Entre todas a mais serena.

Seus gestos são muito meigos
É ativa e laboriosa,
No caminhar pisa macio
Sua voz é luminosa.

É sincera e muito amada,
Dá a todas o seu carinho,
E todas, querida amiga,
Queremos lhe dar um colinho.

Lá vai meu coração,
Dentro de uma caixinha,
Com votos de Boas Festas
Expressos nesta quadrinha.

Lá vai meu coração
Minha alegria te diz
Tenha um Feliz Natal
Minha querida Amaridis.


 

De Maria Angelina Spada para Edna





Magia da Ilha
Ilha da magia


Magia de sonhos
Magia de luz
Magia de encantos que seduz.
Majestosa ilha – bela
Aquarela pintada ao luar
Verdes montanhas,
Imenso mar.
Ilha das rendeiras– alegres, faceiras
Em noite de festa
Lua cheia – seresta
Vem nos cativar.
Bruxas dançando
Anjos cantando
É a magia deste lugar.
Em dias ensolarados
Caminhos encantados
Todos levam ao mar.

Ilha acolhedora de intensa beleza
Atraístes outrora navegantes,
Pioneiros imigrantes
Hoje acolhes gente de todo lugar.
Misturam-se as raças,
Multiplicam-se as cores,
Acultura-se o lugar. 

Cantam os anjos
Dançam as bruxas e,
A magia continua fazendo da Ilha uma poesia
Poesia de Amor.
Edna, seja bem vinda à Ilha da Magia! Viva aqui sua poesia. Dance com as bruxas... Cante, cante com os anjos...


De Sandra para Angelina


Tarefa de presentear...
O que escrever?
O que desejar?
A época é de inspirar
Todos param pra pensar
Todos querem melhorar!
E de concreto, o que esperar?
Cada pequena atitude
Com a melhor intenção
O mundo melhorar!



De Edna para Sandra
Escrever sobre Sandra Lúcia Ribeiro de Souza é falar sobre Sentimento, com suas próprias palavras:

Lembranças...
Vêm lá do fundo de nós mesmos...
Tão vívidas e reais
Que nos transportam de corpo e alma!
Trazem muitas sensações...
Aromas, contatos, visões...
Algumas vezes nos trazem lágrimas aos olhos
Outras vezes enchem nosso coração de imensa felicidade!
Que bom podermos ter a consciência
(quando queremos nos transportar)
Para outras épocas e lugares
E de lá extrairmos aprendizados e energias
E, no momento presente...                         
Vislumbrarmos o quanto...
o futuro ainda pode nos oferecer.


Escrever sobre Sandra é falar de sua sensibilidade em relação à escrita das colegas de grupo, citando como exemplo uma resposta poética que escreveu tendo um cunho de compartilhamento e atingindo, talvez, uma força catártica:




Doces palavras

Cheias de amor

Assim como ela

Irradiando luz e calor!

A vida começou difícil

Mas houve uma escolha

Que transformou o que poderia ser triste

Numa importante história de amor!

Sandra gosta de ter os pés no chão de “Um encantador jardim... no alto de uma colina de nome Carvoeira.”

Sobre “divergências entre as diferentes atitudes”, Sandra escreveu: “os moradores daquele terreno sentiam muito amor um pelo outro e, cada um, de seu jeito único, cuidava, diferentemente, do mesmo jardim... Mas o mais importante era a afinidade que ambos tinham e que os unia ao mesmo espaço para os cuidados rotineiros e para sua contemplação.”

Muito mais poderia ser dito sobre Sandra, mas o mais importante é que sua presença no grupo:

Traz humanidade e amizade,

pois a estimamos de verdade!

                            Edna. 10/12/2013.

De Lourdes Thomé para Albertina

A tenta capricha na escrita
L eves são os seus poemas
B em sabe escolher os temas
E  nleva numa produção  sempre bonita
R i suave, calma é o seu lema
T ransmite  afeto numa figura amena
I nforma e transforma como no cinema
N uances de personagens seu mundo habita
A nte a mensagens que depois agita
Albertina
Uma pessoa especial que tive o privilégio de conhecer
E por algum tempo conviver
Sei o quanto gosta de escrever
Deixando mensagens a conhecer
Gosto de sua criatividade
Dando vida ao personagem
Consegue muita interatividade
Pois de pessoa, bicho e coisa faz imagem
Sua produção é útil
Inventiva, nada fútil
Penso que você deveria continuar
Quiçá, um dia, num livro tudo publicar.
E quando for autografar
Na primeira fila irei estar
Sei que contente irei fotografar
Para então a felicitar.

          Considero sua produção textual:
 Criativa         e     Sincera           
Imaginativa   e         Diferente
Empolgante       e           Ilustrativa

 

De Edna para Valda



Valda, você participou das oficinas que eu (Edna) ministrei no NETI, de março a dezembro de 2013. Logo fiquei sabendo que você é da turma de alunas antigas e, no segundo semestre, registrei isso num haicai:

É da turma antiga

Fala português bem claro

Pras amigas dos feitos.


No segundo semestre, você foi colega de Albertina Alice Regis, Amaridis de Souza Mello, Elsa Casaleite, José Luiz de Carvalho Soares, Léa Palmira e Silva, Lourdes Therezinha Thomé, Lourdes Gasperini, Maria Angelina Spada, Osmarina Maria de Souza, Sandra Lúcia Ribeiro de Souza. Essa turma combinou que o presente de ‘amiga secreta’ seria um texto feito para essa amiga. Fiquei muito feliz quando no sorteio fui contemplada com seu nome: que já tinha sido homenageado na abertura do meu soneto Canção NETI, no primeiro semestre:

Sua felicidade, verdade e vontade...

Seu nome é canção: Valda Valdemar de Andrade

Por outro lado fiquei imaginando o que poderia escrever, uma vez que foi a pessoa que mais recebeu homenagens registradas em formas de textos postados em http//NETIATIVO. blogspot.com.br, no qual registramos as produções do grupo.

Como você não tem por hábito utilizar o computador, avaliei a coragem que teve para enfrentar um grupo que aceitou efusivamente a ideia que apresentei, na primeira aula: a de fazer um registro digital de nossas produções. Questionei-me se eu teria toda essa ousadia em matéria de enfrentamento. Busquei então inverter os papéis com você... Ao invés de tentar avaliar o que você aprendeu, resolvi me questionar sobre o que aprendi com você, quer assistindo suas ‘performances’, quer lendo os seus textos.

Primeiro registrarei minha recepção do trabalho de ‘performance’ que você realizou durante o primeiro semestre. Começo pelo histórico da personagem que você criou.

Vovó Dulci é hoje alguém de quem você se tornou íntima. Morava a princípio num texto de poucas linhas manuscrito por você, digitado por Osmarina Maria de Souza e 'editado por mim (Edna) no blog NETIATIVO. Segue o texto de sua autoria, cujo título é “Um Pedacinho do Mundo”:

Catarina foi visitar sua prima Ana que há muito tempo não via.

Na viagem Catarina conheceu Dulce, uma senhora com 84 anos de idade.

Fizeram amizade e Dulce convidou Catarina para passar uns dias em sua casa para baterem um papo e tomarem um chá com bolinhos.

Dulce falou que morava em uma vila de pescadores, era viúva há muitos anos. À noite sentava na varanda de sua casa para contemplar as estrelas no céu, olhava o mar, o clarão da lua. E dizia:

‒ Sou feliz. Moro em um lugar onde posso sentir o cheiro do mar. Em todas as manhãs vejo o nascer do sol.

Catarina nunca tinha escutado uma história tão linda e prometeu a Dulce que um dia iria visitá-la, pois estava ansiosa para conhecer esse lugar tão fascinante.

‒ Um pedacinho da plenitude do mundo! ‒ que era Florianópolis, segundo Dulce.

Um dia, a personagem Dulce saiu do papel e pôs-se a navegar por 'mares bravios' de sua 'terra natal' dentro de um livro que seria jogado fora, não fossem suas mãos, Valda, segurá-lo no mundo das coisas úteis. Em sua mãos, Valda, você segurou o barco no qual se deu a viagem. Trata-se de um barco de pesca chamado Santa Rosa que sai em busca de seu sustento, numa viagem difícil, mas cheia de fé e sob a proteção de Santa Clara.
Segundo você contou, Vó Dulci aprendeu a 'rendar' 'com a onda faceira, na praia bordando o mar'. Em sua casa, toalhas de renda de bilro e chita se misturam para enfeitar a mesa na qual serve chá com biscoito de milho à amiga Catarina.
Catarina é uma personagem que foi criada por mim para 'trabalhar' em oficinas e dialogar com outros personagens. A boneca ‘Vó Dulci’ foi 'confeccionada' por Amaridis. O nome foi homenagem à colega do primeiro semestre Dulcirene Grein Ferreira. Compareceu à sua apresentação uma visitante ilustre: Neli Góes Ribeiro, fundadora da AMAB, que atua no momento como Coordenadora do Projeto AfroArtesã e tesoureira da AMAB. Acompanhava Neli: Nilton César Góes, jornalista, que integra o Clube de Esperanto de Florianópolis, e é associado e colaborador da AMAB. Além de testemunhar sua apresentação performática, compilei todos os seus textos postados no blog NETIATIVO, em 2013. Não são numerosos. Isso eu digo para mostrar que exercitar-se muito é bom, mas não suficiente. Há que fazer e descansar do fazer, para repensar a feitura. Seu fazer, Valda, é a meu ver, preferencialmente existencial. Você não pretende construir teorias... E de bom grado me coloco como quem gosta de fazê-lo, de quem sabe ler nos trechos de criação escrita os registros de vida. Faço isso para que você possa conferir como interpreto seus textos e, assim, me conhecer um pouco mais por meio desse recurso. E também para que outros leitores possam usufruir da sua companhia por meio das abstrações sobre sua produção escrita.
Num texto escrito em grupo, li sua frase: “A música acalma meu espírito” que demonstra sensibilidade e bom gosto para as escolhas, na vida. Seu movimento em direção à luz é nítido. Dirige-se para onde vê oportunidades para se inserir, ser aceita, cultivar a autoestima... Busca boa música para seus ouvidos espirituais.
Sua imaginação é rica. Escolhe e faz o seu próprio colorido. Ama a simplicidade das belezas naturais. A música que a acalma é a que você pode cantar ou ouvir no cotidiano. Gosta de se relacionar bem e sabe cativar e ser agradecida à atenção que lhe é oferecida. Põe a busca pela novidade e conhecimentos como meta de vida.
É realista ao falar de suas lutas e conquistas pessoais. Sua maneira de medir o sucesso pessoal é de caráter humanista. Descreve a velhice como um tempo de sabedoria, beleza, harmonia e integração com o cosmos. Um descanso ao lado de uma fogueira é a imagem que você intui nessa fase de vida da qual partilha, hoje. Descreve, ainda, com naturalidade, um estado de contemplação a que acessou durante um exercício de imaginação dirigida proposto em uma das oficinas. Declara sua crença na capacidade humana de transcendência libertadora.

Agradeço sua participação na Oficina de Criação Literária do NETI, em 2013. Com votos de felicidade e paz perenes,
         Edna Domenica Merola. Florianópolis, 05 de dezembro de 2013.