quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Verbete de O setênio: Delação (premiada)

A leitura de O setênio (MEROLA, 2024) convoca a indagar sobre o binômio democracia X fascismo. Necessário informar que a autora construiu um "Rol necessário" cujo recorte é  apresentado em ordem alfabética, neste blog, ao longo do mês de dezembro de 2024.

Delação premiada  – instituída em 2013, trata-se da diminuição da pena ou desconto no valor “desviado” pelo suposto réu da Lava Jato que entregasse seus companheiros. Usada nas apurações de 17 de março de 2014 a 1 de fevereiro de 2021. Historicamente ligada ao lavajatismo que teve por consequências o impeachment de uma presidenta e a prisão de um ex presidente.

Desde o começo da operação Lava Jato tive a premonição de que delação premiada ia dar em *erda!  (O setênio. Confissão. p 20)

Esgar Cia foi deputado estadual em 2000; em 2016 fez uma dívida astronômica em jogo de pôquer, e recentemente é empresário do ramo (gagueja) da... de... delação premiada. (O setênio. Evento Pop. p 63)

ADENDO: O livro O setênio

Uma personagem septuagenária confessa suas impressões sobre o setênio inaugurado em 2016 e vivenciado como se “tivesse quebrado um espelho” e, em consequência, tivesse “sete anos de azar”. Ao perceber que a história da república brasileira é marcada pela militarização, desencanta-se e se volta para sua ferida narcísica.  Lembranças em torno do uso de casacos vermelhos e da escolha vocacional mesclam-se com percepções sobre as campanhas presidenciais de 2018 e 2022. Por meio de personagens ficcionais comparecem aqueles que abatem os demais e os afrontam com ilicitudes. Pela caricatura, apresenta a naturalização do personalismo nos atos em prol da ditadura. Retrata o apelo às teorias conspiratórias que abusam da boa-fé e da religiosidade, e redes sociais que se empenham em impedir reflexões sobre educação, cultura e sociopolítica. Desenha um contexto político pedagógico apartado de princípios constitucionais. 


ADENDO II
- Post: Verbete de O setênio – LOWFARE

Link: https://aquecendoaescrita.blogspot.com/2024/12/verbete-de-o-setenio-lowfare.html

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Verbete de O Setênio (2016-2022): "C" de Cloroquina

SUS 2020 cloroquina sim, vacina não






A leitura de O setênio (MEROLA, Palhoça: TãoLivros, 2024) convoca a indagar sobre o binômio democracia X fascismo. Necessário informar que a autora construiu um "Rol necessário" cujo recorte é apresentado em ordem alfabética, neste blog, ao longo do mês de dezembro de 2024. 

Cloroquina - remédio para malária, mas que foi receitado para covid 19 pelo governo federal brasileiro, em 2020.


Confissão (MEROLA, O setênio, Palhoça: TãoLivros, 2024, p 20)

[...] o primeiro item a ser assinalado no presente rol de confissão é a crença na maldição do setênio. 

[...] 

O quinto: pequei por palavras, já que falei palavrões quando o presidente em exercício, em 2020, imitou moribundo; e mais palavrões quando ele instituiu a carteira de trabalho verde amarela.

O sexto: desobedeci ao chefe da nação (e por tabela a alguns líderes religiosos comparsas dele, né?). Ao invés de morrer me entupindo de cloroquina, sobrevivi usando máscara e lavando as mãos.

ADENDO

O livro O Setênio

Uma personagem septuagenária confessa suas impressões sobre o setênio inaugurado em 2016 e vivenciado como se “tivesse quebrado um espelho” e, em consequência, tivesse “sete anos de azar”. Ao perceber que a história da república brasileira é marcada pela militarização, desencanta-se e se volta para sua ferida narcísica.  Lembranças em torno do uso de casacos vermelhos e da escolha vocacional mesclam-se com percepções sobre as campanhas presidenciais de 2018 e 2022. Por meio de personagens ficcionais comparecem aqueles que abatem os demais e os afrontam com ilicitudes. Pela caricatura, apresenta a naturalização do personalismo nos atos em prol da ditadura. Retrata o apelo às teorias conspiratórias que abusam da boa-fé e da religiosidade, e redes sociais que se empenham em impedir reflexões sobre educação, cultura e sociopolítica. Desenha um contexto político pedagógico apartado de princípios constitucionais. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Verbete de O Setênio (MEROLA, 2024) : "E" de Extrema Direita

A leitura de O setênio convoca a indagar sobre o binômio democracia X fascismo. Necessário informar que a autora construiu um "Rol necessário" cujo recorte é apresentado em ordem alfabética neste blog, ao longo do mês de dezembro de 2024. 

Extrema direita ou Extrema destra liderada por políticos, empresários, policiais rodoviários e militares que afirmavam que havia fraude nas urnas eletrônicas e queriam o voto “auditável” (o que, na prática, equivaleria ao voto de “cabresto”). Eram simpatizantes do fechamento do Congresso Nacional. Apoiaram os caminhoneiros que fecharam estradas e ocuparam a frente de quartéis. Planejavam a volta da ditadura e incentivaram populares a invadir e depredar os prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, numa tentativa de golpe contra o regime democrático. Houve políticos que usaram a tribuna em defesa da transformofobia.



Em 2018, também adivinhei que o candidato da extrema direita era um azarão.  (MEROLA, TãoLivros, 2024, p 20)

Depois da vitória da democracia nas urnas, em 2022, fica o lixo narrativo deixado pelo circo de horrores da extrema destra. (MEROLA, TãoLivros, 2024, p 24)A passagem dos 62 dias posteriores ao segundo turno das eleições presenciais e obviamente antecedentes à posse do vencedor, estabeleceram-se no país jogos narrativos que demarcavam duas realidades paralelas: a dos democratas e a da extrema direita (ou vice-versa!). (MEROLA, TãoLivros, 2024, p  86)

ADENDO O Setênio (MEROLA, TãoLivros, 2024)

Uma personagem septuagenária confessa suas impressões sobre o setênio inaugurado em janeiro de 2016 e vivenciado até oito de janeiro de 2023 como se “tivesse quebrado um espelho” e, em consequência, tivesse “sete anos de azar”. Ao perceber que a história da república brasileira é marcada pela militarização, desencanta-se e se volta para sua ferida narcísica.  Lembranças em torno do uso de casacos vermelhos e da escolha vocacional mesclam-se com percepções sobre as campanhas presidenciais de 2018 e 2022. Por meio de personagens ficcionais comparecem aqueles que abatem os demais e os afrontam com ilicitudes. Pela caricatura, desenha a naturalização do personalismo nos atos em prol da ditadura. Retrata o apelo às teorias conspiratórias que abusam da boa-fé e da religiosidade, e redes sociais que se empenham em impedir reflexões sobre educação, cultura e sociopolítica. Desenha um contexto político pedagógico apartado de princípios constitucionais. 


Verbete com "B" em O Setênio

 A leitura de O setênio convoca a indagar sobre o binômio democracia X fascismo. Necessário informar que a autora construiu um "Rol necessário" cuja apresentação em ordem alfabética, neste blog, iniciou em 01 de dezembro de 2024. 

https://sl.bing.net/jOwSv1WgUhM



Baderneiros – Extremistas de direita que, em 2022, acamparam frente a quartéis do exército brasileiro. Autodenominaram-se patriotas e apoiaram a intentona de 08/01/2023. Chamados de “patriotários” por Edu Krieger (roteirista e músico) numa paródia. O termo passou a ser amplamente empregado pelos progressistas. Os patriotários patricavam o personalismo ou culto exacerbado e cego à pessoa do presidente em exercício 2019-2022.

Uma sobrevivente do setênio (MEROLA, 2024. P 17)

 No dia primeiro de janeiro de 2023, houve a festa da posse presidencial, em Brasília. Estive lá, de corpo presente! E voltei ilesa! Não vou dizer que não tive medo de ser surpreendida negativamente pelos baderneiros que acampavam frente aos quartéis em protesto contra a democracia.

Nossa república começou com o Marechal que os oligarcas chamaram para ocupar o lugar do Imperador deposto. Já o segundo presidente, conhecido por Marechal de Ferro, inaugurou a prática do culto à personalidade do mandante. Tal personalismo, à época, foi denominado florianismo. Fato é que tal pessoa se negou a passar a faixa presidencial para o civil que o sucedeu.

O último dentre os presidentes da ditadura civil e militar instalada com o golpe de 1964  também se negou a passar a faixa presidencial ao civil que o sucedeu.

Tempos passam e nomes se vão... Práticas mudam?

– Por que um civil eleito pelas urnas eletrônicas, em 2018, negar-se-ia a passar a faixa para o rival que o derrotou nas mesmas urnas em 2022?

– Coisas da caserna! Ou talvez o derrotado quisesse ser Imperador?


ADENDO

O livro O Setênio

Uma personagem septuagenária confessa suas impressões sobre o setênio inaugurado em 2016 e vivenciado como se “tivesse quebrado um espelho” e, em consequência, tivesse “sete anos de azar”. Ao perceber que a história da república brasileira é marcada pela militarização, desencanta-se e se volta para sua ferida narcísica.  Lembranças em torno do uso de casacos vermelhos e da escolha vocacional mesclam-se com percepções sobre as campanhas presidenciais de 2018 e 2022. Por meio de personagens ficcionais comparecem aqueles que abatem os demais e os afrontam com ilicitudes. Pela caricatura, apresenta a naturalização do personalismo nos atos em prol da ditadura. Retrata o apelo às teorias conspiratórias que abusam da boa-fé e da religiosidade, e redes sociais que se empenham em impedir reflexões sobre educação, cultura e sociopolítica. Desenha um contexto político pedagógico apartado de princípios constitucionais. 


domingo, 1 de dezembro de 2024

Verbetes de O Setênio (MEROLA, 2024. Palhoça: TãoLivros)

  A leitura de O setênio convoca a indagar sobre o binômio democracia X fascismo. Necessário informar que a autora construiu um "Rol necessário" que será apresentado em ordem alfabética neste blog, ao longo do mês de dezembro de 2024. 

MEROLA, 2024. Ilustração de Cassiano Silveira




Absinto – bebida destilada de coloração verde, criada por volta de 1792 por um médico francês residente na Suíça. Acreditava-se que o absinto potencializa a criação artística e que teria sido utilizada pelo poeta simbolista francês Paul Marie Verlaine (1844 –1896) e pelo escritor estadunidense Ernest Miller Hemingway (1899 – 1961).  







Absinto 

 

Tendo por mote a palavra absinto

Evoco famosos:

Abdutor Verlaine

Abnegador Hemingway

Abjeto Gato Preto (64) e o duplo de Pound,

 

No duplo terror sanitário e político,

Pressenti a ab gênese, até...

Parir palavras:

Ab amar, ab afagar, ab aconchegar...

Ab canto...

Ab sinto... 


NOTA - O Gato Preto – conto de terror de Edgar Allan Poe (19/01/1809 – 7/10/1849) publicado em 1843. Representa a monstruosidade pelo recurso do duplo: um gato preto que depois de assassinado pelo personagem narrador retorna na vida dele como um ser que encarna o Mal.

Nota sobre a Psicologia da culpa e o fantástico na obra de Edgar Allan Poe a culpa é associada ao pecado. Algumas interpretações do cristianismo atribuem a responsabilidade dos atos maus à influência do Diabo. Na literatura de Edgar Allan Poe,  o Mal não é externo ao ser humano. Seus personagens, ao se desviarem da virtude sublimam o sentimento de culpa por meio do fantástico.

ADENDO

O livro O Setênio

Uma personagem septuagenária confessa suas impressões sobre o setênio inaugurado em 2016 e vivenciado como se “tivesse quebrado um espelho” e, em consequência, tivesse “sete anos de azar”. Ao perceber que a história da república brasileira é marcada pela militarização, desencanta-se e se volta para sua ferida narcísica.  Lembranças em torno do uso de casacos vermelhos e da escolha vocacional mesclam-se com percepções sobre as campanhas presidenciais de 2018 e 2022. Por meio de personagens ficcionais comparecem aqueles que abatem os demais e os afrontam com ilicitudes. Pela caricatura, apresenta a naturalização do personalismo nos atos em prol da ditadura. Retrata o apelo às teorias conspiratórias que abusam da boa-fé e da religiosidade, e redes sociais que se empenham em impedir reflexões sobre educação, cultura e sociopolítica. Desenha um contexto político pedagógico apartado de princípios constitucionais. 


domingo, 30 de junho de 2024

Convite lançamento O Setênio - Edna Domenica

CONVITE 

O quê: lançamento do livro O Setênio 

Autora: Edna Domenica Merola


Editora: TãoLivros (Palhoça, SC) 
Roda de Conversa , FECESC, Centro, Florianópolis, (12/07/2024, às 17 hs)

Livraria: Desterrados (Florianópolis, SC), sessão de autógrafos 20/07/2024, às 10 hs. E vendas on line

Posfácio: Pós doc. Claudio Carvalho (INES, RJ)



O setênio nas palavras de Cláudio Carvalho- escritor e pós doc em Estudos Culturais 

"Em “tempos líquidos” de leituras e amores igualmente confortáveis e descartáveis, o que há de mais rico na presente obra é ser ela um objeto feito de cacos partidos da autora/narradora, de seus tempos e memórias, de nossos tempos e memórias comuns, da História e de nossas histórias. [...] o livro causou em mim o efeito de uma leitura de um romance, a despeito da fragmentação em gêneros diversos, em que predominam o conto, a crônica, a memorabilia... Seguidos de poemas, dramaturgia, crítica literária, conversas de Facebook...
A personagem principal da trama romanesca, que é a autora/narradora, quanto mais se esconde em alusões jocosas, mais se revela. Este procedimento é cruel, debochado [...] A trama, escondida (e revelada) pela colcha de retalhos de variados gêneros literários e discursivos, é toda pontuada pelo procedimento brechtiano: “mostrai que mostrais”. Enfim, “isto” é um livro que é todo uma encenação. [...] o caráter documental do livro virá a residir exatamente nesses trechos aparentemente descartáveis e imediatistas."(Cláudio Carvalho).

A autora de "O setênio" - Edna Domenica Merola - é também autora de: 

Aquecendo a Produção na Sala de Aula (Nativa, 2001), De que são feitas as Histórias (Postmix, 2014); Diálogos da maturidade (Postmix, 2016); Relógio de Memórias (Postmix, 2017). 

Poemas: Cora, Coração (Nova Letra, 2011). 

Contos e crônicas: A Volta do Contador de Histórias (Nova Letra, 2011); No Ano do Dragão (Postmix, 2012); As Marias de San Gennaro (Insular, 2019). 

Organizou coletâneas: Tudo poderia ser diferente – inclusive o título (Amazon, e-book, 2022) e Do corpo ao corpus (Palhoça: Rocha. 2022).


Contato Facebook Edna Domenica

sábado, 6 de abril de 2024

As Marias de San Gennaro (MEROLA, Editora Insular. 2019)

 

Release 

As páginas de As Marias de San Gennaro foram nascendo aos poucos, as primeiras no início da década de 1990, as últimas em anos recentes. Sua criadora, a pedagoga paulistana Edna Domenica Merola, costumava invocar San Gennaro nas horas de trabalho árduo, brincando com o bordão de humor “San Gennaro for give me”. E é o santo milagroso de devoção dos napolitanos e dos descendentes de italianos da Mooca, bairro de São Paulo, quem conduz as Marias pelas páginas do livro que ela lança agora dentro da série Palavra de Mulher, da Editora Insular.

“Quando comecei a escrever as histórias sobre um grupo de professoras, San Gennaro se apresentou na narrativa, ainda inanimado em seu altar, mas depois foi se humanizando e tomou conta do "pedaço"...”, conta a autora. “O santo reproduz um pouco minha trajetória no magistério. A carreira de 32 anos em escola pública e órgãos administrativos afins exigiu a aprendizagem de atender demandas diversas rapidamente e com poucos recursos, o que quase é sinônimo de fazer milagres”, explica Edna.

A narrativa do livro progride linearmente na descrição das relações culturais que tem por cenário a escola até os anos 1990 e as mídias digitais a partir dos anos 2000 e 2010, mas não pense o leitor que as histórias são didáticas ou pesadas. São textos curtos e bem humorados. “Gostaria que o livro fosse lido por pessoas de qualquer idade que gostem de histórias com humor, por professoras e professores, e especialmente por crianças e adolescentes em processo de aquisição do hábito da leitura e do riso”, completa a autora.